Chiquinho Conde e o Dilema do Tempo: Continuidade ou Renovação na Seleção Nacional?
Chiquinho Conde tem sido firme na defesa da sua linha de trabalho à frente da seleção nacional. O técnico moçambicano tem explicado, em várias ocasiões, que o pouco tempo disponível para preparar os jogos obriga-o a apostar nos jogadores que já conhecem a filosofia e o modelo de jogo da equipa. Segundo o próprio, essa escolha é uma questão de pragmatismo: num calendário apertado e com treinos limitados, é mais seguro trabalhar com atletas que já assimilaram o sistema, evitando riscos desnecessários em competições de alto nível.
Essa posição, embora tecnicamente justificável, tem alimentado debates intensos entre adeptos e analistas. A insistência na continuidade de um núcleo fixo faz com que novos nomes, mesmo quando convocados, raramente consigam afirmar-se. O caso de Luís Miquissone, atual melhor marcador do Moçambola, é um exemplo claro. Apesar da sua forma notável e de ter constado na lista dos pré-convocados, o avançado não tem conseguido encontrar o seu espaço nas opções finais de Conde. A sua ausência nas convocatórias tem sido vista por muitos como um reflexo das dificuldades de integração impostas pelo curto tempo de preparação.
O treinador, ao privilegiar jogadores que já dominam a sua linha de jogo, acaba por reduzir a margem de experimentação e limitar o processo de renovação dentro da seleção. Ainda que novos nomes surjam e mostrem qualidade nos clubes, a falta de tempo e de estágios prolongados impede uma adaptação mais profunda à metodologia da equipa nacional.
Essa realidade levanta uma questão estrutural no futebol moçambicano: como criar condições para que o selecionador disponha de mais tempo e espaço para integrar novos talentos sem comprometer os resultados? Enquanto o equilíbrio entre continuidade e renovação não for alcançado, a seleção nacional continuará dependente dos mesmos protagonistas, e casos como o de Luís Miquissone continuarão a ilustrar o desafio de transformar mérito individual em oportunidade real no seio da equipa de todos nós.