Hilário Manjate é o mais recente nome a abandonar o cargo de treinador no Desportivo da Matola, tornando-se o quinto técnico a sair de cena antes mesmo do arranque da sexta jornada da presente época futebolística nacional. Um número que levanta sérias questões sobre o ambiente técnico e organizacional vivido no futebol moçambicano.
Antes de Manjate, também já haviam deixado os seus cargos Victor Mayamba (Baía), Suleimane Barros (Textáfrica), Manuel Casimiro (Ferroviário de Nacala) e João Chissano (Ferroviário de Nampula). Todos técnicos com experiência no nosso panorama desportivo, mas que não resistiram à pressão inicial da temporada.
O que está realmente a falhar? É mesmo uma questão de resultados desportivos ou há algo mais profundo e estrutural em causa?
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Exigências sem suporte
A pergunta que não se cala é: que condições de trabalho têm sido oferecidas a estes treinadores? Muitos clubes exigem resultados imediatos, sem garantir meios mínimos para uma preparação adequada desde campos de treino condignos, salários regulares, infraestruturas básicas até um plantel equilibrado.
É comum ver treinadores a trabalhar com orçamentos limitados, sem acesso a departamentos médicos e técnicos estruturados, sem equipamentos de qualidade ou sequer um calendário competitivo que favoreça a planificação de longo prazo.
Cultura de impaciência e pressão de resultados
A cultura de resultados imediatos tem sido uma constante. Em muitos clubes, a paciência dos dirigentes dura tão pouco quanto um empate fora de casa. A instabilidade é tal que o treinador, mesmo antes de imprimir uma filosofia de jogo ou criar uma identidade para a equipa, já está a fazer as malas.
Esta realidade, somada à falta de projectos desportivos consistentes, coloca os treinadores numa posição extremamente vulnerável.
Falta de formação ou falta de visão?
É verdade que a formação contínua dos técnicos ainda é um desafio em Moçambique. Mas será justo responsabilizá-los, quando os próprios clubes não investem em planos técnicos, nem dão tempo aos treinadores para evoluir com as equipas?
Enquanto noutros países há uma visão de longo prazo, com treinadores a serem integrados nos projectos dos clubes por épocas inteiras (ou mais), por cá, a dança das cadeiras é regra e não exceção.
Um ciclo vicioso a quebrar
Se nada for feito para repensar as bases da gestão dos clubes moçambicanos desde os métodos de contratação até à definição de objectivos realistas o futebol nacional continuará a viver num ciclo vicioso onde os treinadores são os bodes expiatórios de problemas muito mais profundos.
É urgente apostar na criação de condições reais de trabalho, incentivar a estabilidade técnica e promover uma cultura de médio e longo prazo. Caso contrário, continuará a ser mais fácil demitir o treinador do que assumir responsabilidades administrativas e estruturais.
